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O Comércio e a distribuição de renda
Por Claudio Henrique Thies*
O Comércio, na história da humanidade, sempre impulsionou cidades, civilizações e descobertas. Não existe uma cidade, por menor que seja, que o comércio não esteja presente. Hoje, o pequeno comércio, em especial as papelarias estão sofrendo bastante. Isso porque, após o Volta às Aulas, que é um período curto de vendas, as papelarias lutam por sua sobrevivência no mercado corporativo, que é dominado por grandes empresas, com alto poder de compras. Aqui existe um dogma que é aceito por toda a sociedade. Aceitam que uma empresa com alto poder de compra pague menos pelos mesmos produtos adquiridos pelas papelarias, ou por outros segmentos. Por que tem que ser assim, se o custo de produção de uma caneta, um lápis, ou qualquer outro produto é o mesmo, não importando se a venda seja de poucas ou de milhares de unidades?
Existem obviamente outros custos envolvidos, com o de distribuição e o de faturamento, que podem ser facilmente separados do custo do produto. Essa política é a que gera uma grande concentração de renda em poucas empresas. Tivemos recentemente exemplo disso com a aquisição, pelo Grupo Pão-de-Açúcar, das Casas Bahia, formando uma imensa organização capaz de ditar os preços que querem pagar. Invertemos a ordem na venda. Não é o vendedor que dita o preço, mas sim o comprador. Isso leva uma concentração brutal de renda, contrariando toda a política social de distribuição dessa renda, e a uma busca do lucro perdido, pelas fábricas, nas vendas efetuadas no pequeno comércio.
É comum uma papelaria adquirir um produto da fábrica, para depois verificar que o mesmo produto está sendo oferecido a preço menor pelo atacado, ou pelas grandes corporações. Temos que compras cartuchos e papéis de nossos concorrentes, alimentando-os assim, porque as fábricas não permitem uma venda às papelarias. Por que temos que aceitar essa situação?
É preciso ousar. É preciso criar uma lei que regulamente isso, que permita o acesso ao pequeno comércio do mesmo preço pago pelas grandes corporações. Não podemos deixar o tempo passar e ver cada vez mais as pequenas empresas comerciais definhando e fechando suas portas, deixando milhares de desempregados, quando é certo que é o pequeno comércio que mais emprega em sua área de atuação, levando desenvolvimento.
Quando do advento do código do consumidor, muitas foram às previsões negativas, de que o código era inviável, que fechariam milhares de empresas. Tudo falácia. A sociedade se adaptou e hoje qualquer consumidor em qualquer loja irá pagar o mesmo preço do produto, e se achar dois preços fixados, pagará o menor. Foi um grande avanço. Por que algo semelhante não pode ser pensado no comércio? A sociedade se adaptará a outro patamar onde o crescimento das empresas dar-se-á pela capacidade administrativa de seu proprietário, e não por sua capacidade financeira, levando a uma multiplicação de pequenas empresas comerciais e aí sim, uma legítima distribuição de renda.
* È proprietário da Papelaria Redepel Magistral e diretor do SIMPA-SP 2010/2014
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